Tuesday, December 15, 2015

MATÉRIA: 5 versões de A Christmas Carol para o Natal

Eu amo o Natal! Pra mim, é uma época fantástica! As pessoas parecem menos egoístas do que elas costumam ser durante o ano, as famílias se reúnem para celebrarem a data juntas, há muitas coisas a se compartilhar. Claro, tem o lado consumista e fútil do Natal também, onde as pessoas se metem em entrar no cheque especial, a quererem impressionar pessoas que não conhecem ou que não se importam, com coisas que elas não podem comprar, e coisas assim, mas se formos considerar tudo, o Natal tem sim, um lado muito bom, muitas qualidades. A gente geralmente começa a ver especiais de Natal passando na TV, e na internet, tem os especiais de Natal do Nostalgia Critic, que adoro acompanhar.

A nível geral, o Natal é uma época para compartilharmos o que temos de melhor enquanto seres humanos, nossa bondade, nossa generosidade e nossas boas intenções. Exceto, é claro, para o governo brasileiro, que se mostra cada vez mais frio, calculista e indiferente a cada dia, mas para o resto de nós, a data tem a ver com compartilhar boas coisas. Para pessoas católicas e cristãs, como eu e minha família, é a data que celebramos o nascimento de Jesus Cristo. Mas você não precisa ser católico para ter um compasso moral para te dizer que você deve ser bom. Você PODE E VOCÊ DEVE ser bom com outras pessoas, independente de sua religião, credo ou status social. E o Natal é uma data que vem nos lembrar de tudo isso.

Uma das obras literárias que eu mais gosto e que mais representa para mim o espírito do Natal, é o livro A Christmas Carol (Um Conto de Natal), escrito em 1843 por Charles Dickens. É uma história sensacional e muito emocionante sobre o quanto devemos ser gratos pela nossa vida e nos importar com o outro, não importando a época do ano. Ela narra a história de Ebenezer Scrooge, um dos personagens mais reconhecíveis dos contos de Natal, um velho arrogante, frio e sovina que acha o Natal uma babaquice, e espera que todos o deixem em paz trabalhando e... bem... sendo arrogante, frio e sovina. Ele tem um ajudante chamado Sr. Cratchit, um pobre escrivão que trabalha no escritório de Scrooge, mal pago, desacreditado e maltratado pelo velho.

Uma noite, Scrooge é visitado pelo espírito de seu falecido sócio, Jacob Marley, e vê que ser arrogante, frio e sovina tem seu preço, ou melhor, suas correntes. Ebenezer então tem uma chance de se livrar do destino cruel de seu ex-sócio, sendo visitado pelos três espíritos de Natal. Todos nós, acredito eu, conhecemos este maravilhoso conto de Dickens, e se você não conhece, eu recomendo agora que você vá atrás de conhecer. Eu sou completamente obcecado com esta história de Dickens, tendo já visto diversas e diversas versões dela por aí. Por isso, resolvi selecionar para vocês, 5 destas versões da história que eu já vi para a gente aproveitar esta data singular com algo bonito a ser compartilhado. Eu consegui selecionar aqui desde animações, filmes e quadrinhos, que espero que todos gostem e que estas obras lhes deem uma nova perspectiva de como esta data do ano deve ser encarada.

Vamos conhecer estas versões? OK, vamos lá! Lembrando mais uma vez que esta é minha opinião pessoal, OK? Se você por acaso tem uma versão favorita que não figurou aqui, compartilhe nos comentários, e se você gosta desta magnífica história de Natal, compartilhe com seus amigos esta seleção! Eu não estou querendo aqui listar versões por ordem de qualidade nem nada, não se trata de avaliar qual delas é a melhor ou não. Mas são algumas das versões que mais me apaixonam desta obra de Dickens e que volta e meia eu volto a conferir. Em uma próxima vez eu talvez possa vir a escolher outras versões desta obra. Vamos lá então.


1 - A Christmas Carol (2009)
Título em português BR: Os Fantasmas de Scrooge
Formato: longa metragem animado.
Dirigido por Robert Zemeckis, com roteiro do mesmo, e trilha sonora de Alan Silvestri, estrelando as vozes de Jim Carrey, Gary Oldman, Bob Hoskins, Colin Firth, Fionnula Flanagan e outros.

Vou começar aqui pela adaptação que tem sido a minha favorita de todas até o presente momento. Este filme, o terceiro da série de animações ultrarrealistas de Zemeckis após The Polar Express e Beowulf, não somente é um enorme espetáculo visual, chegando até mesmo a reproduzir nos próprios personagens da história a aparência dos atores, mas também segue, em grande parte, o livro de Dickens à risca. Sim, é uma das adaptações mais fiéis do livro de Dickens que você pode encontrar por aí. Eu penso que se Dickens estivesse vivo, iria aplaudir de pé o que foi feito aqui por Zemeckis e sua equipe. A adaptação constrói os personagens da narrativa de forma muito convincente, sem exageros e nem estereótipos demais; há cenas aqui da mais pura inspiração, dramáticas, divertidas, de partir o coração, de elevar o coração, é uma verdadeira montanha-russa de emoções, incluindo até uma canção belíssima interpretada por Andrea Bocelli nos créditos. Em sua fase mais fraca, Jim Carrey aproveitou a chance que teve e trouxe à vida a história de Dickens aqui de forma prodigiosa. Destaque muito merecido para a cena incrível em que Scrooge encara nos olhos um Bob Cratchit completamente devastado pela morte do pequeno Tim. A cena não tem diálogo algum, e nem é necessário, porque os atores, em suas interpretações digitais, conseguem nos passar somente nos olhos e expressões, toda a angústia e tristeza daquele momento.

Claro que o filme tem seus exageros, como a perseguição com os cavalos negros do Fantasma Dos Natais Ainda Por Vir, mas pensando bem, isso é cinema, e o espetáculo faz parte do jogo. O filme dosa muito bem o espetáculo e o drama, nos proporcionando uma versão da história de cair o queixo. Altamente emocionante e recomendado para todos. Tem gente que reclama que ela é uma versão muito sombria para as crianças (uuuhh!), mas meu amigo, a história de Dickens É sombria!! Deixa o seu preconceito de lado e veja o grande espetáculo que Zemeckis nos preparou nesta excelente versão.


2 - Mickey's Christmas Carol (1983)
Título em português BR: O Natal do Mickey
Formato: curta animado.
Dirigido por Burny Mattinson, com roteiro do mesmo, Don Griffith e outros, e trilha sonora de Irwin Kostal, estrelando as vozes de Alan Young, Wayne Allwine, Hal Smith, Eddie Carroll, Clarence Nash e outros.

Este foi meu primeiríssimo contato com esta obra de Dickens. Estava eu assistindo a TV um dia com meus pais e este curta passou. Desde este dia, nunca mais esqueci a história, a trama envolvente e aquecedora que conquistou tantas pessoas.

Verdade que a animação é curta, e que a equipe teve que cortar muita coisa do livro para fazer caber toda a ideia principal em apertados 25 minutos e alguma coisa. Mas foi muito bem feito e planejado. A equipe conta com um time sensacional de animadores, incluindo aí o gênio John Lasseter, fundador da Pixar.

Esta versão conta com Mickey sendo o Bob Cratchit, o Pateta sendo o fantasma de Marley e o tio Patinhas sendo o Ebenezer Scrooge, o que não poderia ter sido mais apropriado, visto que Patinhas é totalmente inspirado no personagem de Dickens, e seu nome em inglês é justamente Scrooge McDuck, ou seja, é o Scrooge no papel do próprio Scrooge. A animação é curta, mas envolvente, divertida, dramática e muito bonita, e por isso ganhou o meu coração, até porque eu guardo até hoje as lembranças de minha juventude como um garoto da escola descobrindo, através destes personagens atemporais da Disney, esta maravilhosa narrativa de Dickens.


3 - Batman: Noël (2011)
Título em português BR: Batman: Noel
Formato: graphic novel.
Escrita e desenhada por Lee Bermejo, com cores de Barbara Ciardo e publicada pela DC Comics.

Esta graphic novel me surpreendeu quando li. Não somente figura entre as melhores histórias do Batman, tendo uma avaliação com nota máxima da Barnes & Noble e nota 4.5 / 5 no site GoodReads, mas também como uma excelente obra inspirada no conto de Dickens. Bermejo encarou um desafio dos mais difíceis, o de relacionar o mundo mais realista e descolorido do morcego com a história emocionante de Dickens. Um desafio dos grandes! Como pegar aquele mundo do Batman e intertextualizá-lo com a obra do escritor? E Bermejo se saiu muito bem!

A história é toda narrada contando com a trama do livro de Dickens e referenciando os personagens da história, mas ao mesmo tempo todas estas referências são contextualizadas na história que estamos vendo nos painéis, onde Batman investiga um capanga do Coringa que tem que entregar uma carga para poder ganhar algum dinheiro para o sustento de seu filho. Este capanga seria o Bob Cratchit da história, seu filho, o pequeno Timmy, e Batman... bem, o morcego assume a função de Scrooge. Você tinha alguma dúvida? É perfeito, se considerarmos a forma ríspida e sempre alterada que Batman usa para interrogar suas testemunhas, um homem sem empatia, agressivo, de cara fechada e descrente nos seres humanos, que ao longo da história terá uma nova visão das pessoas. E representando os fantasmas, bem, até nisso Bermejo é muito criativo! Jason Todd, o segundo Robin e atual Capuz Vermelho representa Jacob Marley na história; já os fantasmas, variam desde aliados a vilões: Mulher-Gato é o do Passado, Superman é o do Presente e o Coringa (quem mais?) é o do Futuro.

O desfecho emociona e restabelece a conexão com o conto de Dickens sobre como uma amargurada e arrogante alma ganha uma nova visão das pessoas e das coisas ao seu redor, à luz de suas próprias experiências. Vale muito a pena ler esta graphic novel.


4 - Scrooged (1988)
Título em português BR: Os Fantasmas Contra Atacam
Formato: longa metragem.
Dirigido por Richard Donner, com roteiro de Mitch Glazer e Michael O'Donoghue, e trilha sonora de Danny Elfman, estrelando Bill Murray, Karen Allen, John Forsythe, John Glover, Bobcat Goldthwait, David Johansen, Carol Kane e outros.

Esta é mais uma daquelas comédias alucinadas de Bill Murray, algo do mesmo porte que clássicos como Ghostbusters e Groundhog Day; não é tão boa quanto estas últimas, mas eu gostei e recomendo assistí-la no feriado. Aqui, o conto de Dickens existe dentro da história, e a narrativa acompanha o personagem Frank Cross (Murray), um executivo de TV arrogante e cínico que tenta ganhar o feriado de Natal com a audiência das pessoas em seu especial extravagante baseado na obra de Dickens, com Buddy Hackett no papel de Scrooge e uma versão feminina do pequeno Timmy. Cross se mostra tão arrogante e calculista quanto o Scrooge da história, mas diferente dele, ele diz amar o Natal, claro, por motivos de auto-promoção, obviamente. Um belo dia, ele recebe a visita de seu chefe morto, e assim como no conto de Dickens, o cara morreu há sete anos atrás. Então acontece o que já esperamos, ele será visitado por três fantasmas, o primeiro que representa o fantasma do Passado é um taxista de NY, o segundo, o do Presente, é uma fada com asas e tudo, que simplesmente chega já chutando as bolas de Cross; já o terceiro, o do Futuro é realmente a morte, em toda sua aparência esquelética e a característica roupa preta.

O filme, como já falei, não é tão divertido quanto os outros clássicos de Murray ou os demais filmes clássicos dirigidos por Richard Donner, mas o que faz ele valer a pena é o humor ácido, cínico, histérico e inconfundível de Murray, com sua cara de bebê abandonado e a ideia da atualização da história. Se você não assistiu, recomendo que confira.


5The Muppet Christmas Carol (1992)
Título em português BR: O Natal dos Muppets
Formato: longa metragem.
Dirigido por Brian Henson, com roteiro de Jerry Juhl, e trilha sonora de Miles Goodman, estrelando Michael Caine e as vozes de Dave Goelz, Steve Whitmire, Jerry Nelson, Frank Oz, Jessica Fox e outros.

Finalmente o clássico filme especial dos Muppets, baseado no livro de Dickens, nos trás a tradicional performance musical e única das criaturas de Jim Henson. O especial segue bem o livro, mas adiciona detalhes do próprio mundo dos Muppets, como Gonzo no papel de Charles Dickens ou Fozzie no papel de Fozziewig (articulada a brincadeira com as palavras) e o amigo rato de Gonzo nos contando a história, além é claro dos tradicionais números musicais que se pode encontrar em toda e qualquer produção envolvendo as criaturas. Kermit, o sapo, faz o papel de Bob Cratchit e a Miss Piggy faz a esposa de Cratchit (of course!). E no papel de Scrooge, temos o inigualável... My Cocaine... digo... hehehe... Michael Caine! Ele mesmo, o porta-voz atual dos filmes de Christopher Nolan está aqui interpretando Scrooge em pleno início dos anos 90 e até mesmo se arrisca no final a cantar uma canção. É um especial bonito, cheio de alegria e encantamento e que vai embelezar ainda mais o espírito de Natal.

E aqui vou eu finalizando esta seleção de adaptações do livro de Dickens para este Natal. Existem muitas outras mais, aliás, milhares! Todo mundo deseja ter sua própria versão da história. Quem sabe futuramente eu não indique mais algumas? Conheço várias, e isso é porque eu sou realmente obcecado por esta história, que considero a grande e monumental obra-prima de Charles Dickens. Uma história que aquece a alma e nos remete diretamente ao verdadeiro significado do Natal, uma data única e singular que vem, como já falei, lembrar a todos nós das melhores coisas que o ser humano pode proporcionar, se suas intenções forem boas e seu coração for puro e genuíno.

Vou terminando por aqui e desejando a todos um feliz e abençoado Natal. E assim como o pequeno Tim nos deseja na história, eu repito:

DEUS ABENÇOE A TODOS NÓS!


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