Wednesday, January 13, 2016

FILME: Sicario (Sicario: Terra de Ninguém)

Nota: 9,5 / 10

Sicario é um filme que eu acabei deixando de lado ano passado. Um de vários, na verdade; basta você checar a lista das últimas postagens de meu blog na categoria Filmes, e você vai encontrar mais alguns.

Mas enquanto eu deixei outros de lado porque eu estava sobrecarregado de coisas para fazer, sem tempo mesmo, este aqui eu acabei deixando de lado, porque ele era tido como um filme tenso e ultrarrealista, e como eu estava em uma fase complicada, resolvi deixar esses tipos de filmes para uma ocasião futura de assistir. Eu precisava de mais pipoca e Tic-Tacs no cinema e menos Rivotril; este filme, é o Rivotril.

O termo sicario, proveniente do espanhol, significa "assassino de aluguel". O filme também informa, no início, que o termo, historicamente, vem de Jerusalém, e era usado para definir assassinos que caçavam soldados romanos que invadiam as suas terras. Desta forma, já sabemos que há um ou uns personagens do filme que são, o que no inglês, chamamos de "hitman", atirador de aluguel, contratado para executar um serviço e ser pago por ele.

O diretor do filme, Denis Villeneuve você deve se lembrar pelos filmes Incendies (Incêndios), Prisoners (Os Suspeitos) e Enemy (O Homem Duplicado); pois é, até o presente momento, o diretor tem se destacado por um currículo impecável de filmes sensacionais, bem filmados e bem executados. Vale lembrar que ele inclusive está trabalhando com o vindouro projeto que dá sequência ao clássico Blade Runner, de Ridley Scott, ou seja, pode sair algo muito bom por aí relacionado ao filme que foi inspirado em um conto do escritor de ficção-científica Philip K. Dick, vamos aguardar.

A trama de Sicario é tão séria, tão tensa e tão ultrarrealista, que por um breve momento, eu achei que o filme havia sido inspirado em fatos reais, o que não é o caso aqui, apesar de o roteiro estar lidando com situações bem reais, como o cartel de drogas mexicano. Mas apesar disso, o filme é uma bem escrita ficção, um suspense excepcional e original, que em alguns momentos me lembrou bastante o filme U.S. Marshals (1998) e em outros, me lembrou Tropa de Elite (2007). SIM! Esse mesmo! E pode ter certeza, os policiais não sobem morro aqui, mas vão atrás de quem tava com a carga e fazem ele pedir pra sair ou tomar pipoco!

A história é sobre uma agente do FBI, Kate (Emily Blunt) que trabalha com esta força policial e recolhe a sujeira; em linhas gerais, este é o trabalho dela, operações para prender gente que esteja, de alguma forma, envolvida com o tráfico. Esta primeira parte do filme é a que lembra Tropa de Elite, mas de uma forma muito mais graficamente nojenta, pois a equipe de policiais acham corpos carbonizados e expostos como uma galeria macabra nos arredores da região.

A rotina da policial e de seu amigo Reggie (Daniel Kaluuya) muda quando ela é indicada, por seus superiores, para um trabalho maior na fronteira entre EUA e México, com a perspectiva de erradicar de vez o cartel de drogas que opera por aquela região. Então, entram na jogada, o oficial Matt Gravers (Josh Brolin) e seu parceiro Alejandro (Benicio Del Toro) que lideram o time de caça do departamento de defesa que irá operar na fronteira, time para a qual Kate se voluntaria.

O que ela não sabia, é o quão extremas eram as operações naquela região. Em muitos momentos, ela se mostra abalada pela violência com que os oficiais caçam os membros do cartel. Toda esta violência leva a oficial a querer um dia de folga, e é neste dia que ela encontra alguém que pode levar definitivamente ao responsável pela operação. A situação se complica, no terceiro ato, quando ela descobre que um dos oficiais tem uma vendetta não-oficial contra o chefe da operação, que foi o responsável por matar pessoas ligadas ao oficial, que estava atrás de vingança pessoal.

A trama intensa e o clima pesado só é aliviado uma vez no filme, pela cena do bar, e logo se volta novamente a tensão. Os atores estão todos fantásticos em suas atuações, Emily Blunt está sensacional, ela que já esteve em outras boas atuações em filmes como The Wolfman (2010), versão mais moderna do mito do lobisomem, ou então no ótimo Looper (2012); Josh Brolin é um cara que eu sempre gosto de ver em cena, e Del Toro também é outro grande talento neste filme.

Sicario nos mostra o clássico embate da polícia contra as forças que corroem mentes e almas do povo dos EUA, mas também nos aponta que a própria polícia pode ter corrupção interna, ilustrando que, mesmo que você seja um Capitão Nascimento, querendo acabar com a sujeira, é o próprio sistema que, por vezes, acaba entrando no caminho do agente do bem. Em outras palavras, "o sistema é foda", parceiro! E ainda acrescento a ideia do personagem de Del Toro no fechamento do filme: em terra de ninguém, só os lobos sobrevivem; se você não é um, melhor morar em outro lugar.

Eu recomendo altamente este filme, apesar de ser o tipo de filme que eu tenho a tendência de assistir uma vez só na vida, mas tenho que reconhecer e valorizar o trabalho primoroso de cinema e crítica social que o filme evoca, e tenho certeza que, por este tipo de audácia e abordagem, acabará ganhando seu espaço no Oscar deste ano.

Sicario (2015)
Título em português BR: Sicario: Terra de Ninguém

Direção: Denis Villeneuve
Produção: Basil Iwanyk, Thad Luckinbill, Trent Luckinbill, Edward McDonnell, Ellen H. Schwartz, Molly Smith, John H. Starke
Roteiro: Taylor Sheridan
Trilha sonora: Jóhann Jóhannsson

Elenco: Emily Blunt, Benicio Del Toro, Josh Brolin, Victor Garber, Jon Bernthal, Daniel Kaluuya, Jeffrey Donovan, Raoul Max Trujillo, Julio Cedillo, Hank Rogerson, Bernardo P. Saracino, Maximiliano Hernández, Kevin Wiggins, Edgar Arreola, Jesus Nevarez-Castillo

Trailer:

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