Thursday, July 29, 2004

CD: Invisible Touch - Genesis

Eis aqui o martírio de todo e qualquer fã mais conservador ou radical do Genesis. E assim também Abacab, Genesis e We Can't Dance, que correspondem aos lançamentos da era pop do grupo, apostando na tão famosa sonoridade de sintentizadores e drumbox, largamente utilizada nos anos 80. Aqui, é claro, a banda já não era mais uma banda de rock progressivo, como costumava ser até o disco Duke, mas mesmo assim, ainda fazia uma vez ou outra, uma viagem no tempo, para não deixar os fãs antigos desapontados.

Sendo assim, é ímpossível comparar esse disco com os da era Peter Gabriel, ou mesmo, qualquer outro até Duke. Por isso, se você gosta de sonoridades mais soft, diretas e de fácil memorização, ou seja, elementos que remetem à música pop, aceite-o pelo que ele é: um bom disco de pop/rock, coisa que hoje em dia, é muito difícil de se achar. Melodias e arranjos soft bem trabalhados e de muita qualidade, com letras e melodias alegres, que fazem com que você queira sair cantarolando por aí aquele refrão agradável e que gruda na cabeça e que dá ao ouvinte, momentos prazerozos de boa música, são coisas que hoje poucos ainda sabem fazer bem, sem ter que ofender o ouvido e a inteligência das pessoas. Portanto, dê uma chance a esse disco e não vai se arrepender.

O disco abre bem, com "Invisible Touch", uma música com um astral pra cima, cativante, e que foi hit do ano em que foi lançada, sendo largamente exposta em rádio e tv nos anos 80, mas não se preocupe! Como já se foi dito anteriormente, nessa época, mídia e qualidade andavam mais de mãos dadas, então pode ficar tranqüilo, pois Phil Collins, Mike Rutherford e Tony Banks aqui dão um show de criatividade e carisma, mesmo não fazendo mais o progressivo vigoroso que faziam nos anos 70. A seguir vem a boa e arrastada "Tonight, Tonight, Tonight". Tente ouvir essa música e ficar sem querer sair por aí cantando 'because tonight, tonight, toni-ight, o-ohhhh! We'll gonna make it righ, tonight, tonight, toni-ight, o-ohhhh!' Como diria minha mãe, isso espanta os maus espíritos! Talvez o único ponto negativo dela é que ela se arrasta num miolo meio repetitivo e extenso demais, mas não dá pra ficar indiferente ao resto.

"Land Of Confusion" já surge com uma batida mais roqueira, enérgica, e Phil Collins soltando a garganta, esse cara canta muito, e apesar de estar se utilizando mais dos recursos da drummachine, aqui ele também manda bem na bateria, mostrando que ainda não perdeu a mão, e é claro, as baquetas! "In Too Deep" já é uma bonita balada pop, calma, bem soft, daquelas para se tocar no carro ao lado da namorada. Afinal, tem que se aproveitar esses momentos, pois hoje em dia, não é toda vez que se consegue ficar ao lado dela com um som de qualidade desses!

A seguir, a pop "Anything She Does" já acelera o andamento novamente, é bem divertida, daquelas músicas que cairiam muito bem em uma festa. OK, OK, algumas pessoas vão torcer o nariz, inclusive para o album inteiro, dizendo que a banda se vendeu, isso e aquilo, etc, etc, bico de pato, 44... mas pare e pense, o que é melhor? (a)Um disquinho de pop insosso, dessas porcarias que se vê aos montes pipocando nas rádios e tvs hoje, sem nenhuma qualidade, com gente sem talento, ou (b)um bom disco de músicas pop que te proporcione boas horas de prazer auditivo, sem ofender sua inteligência, com melodias coesas, bem trabalhadas, feitas por músicos talentosos de altíssimo nível, como é o caso desse disco? Não precisa responder, acho que me fiz entender!

Bem, e pra não dizer que os caras não pensaram em seus fãs das antigas, talvez "Domino" satisfaça àqueles que acham que a banda se esqueceu dos anos 70, claro, com um pequeno toque de modernidade oitentista. Trata-se de uma longa dividida em duas partes, "In The Glow Of The Night" e "The Last Domino". Desnecessário dizer que aqui a banda abusa das mudanças de andamento, letras melhor elaboradas e passagens mais introspectivas, claro, não chega a se comparar com as longas feitas pelo grupo nos anos 70, mesmo porque mistura-se muito com arranjos pop e efeitos de drummachine, acabando por se tornar um tipo de prog pop, mas não deixa de ser interessante o experimento, que também já foi testado nos discos Abacab e Genesis.

O disco segue com outra ótima balada, "Throwing It All Away", dessa vez mais compassada que a balada anterior, e Phil soltando o gogó nos vocais. A única coisa que não entendi na história toda foi o motivo do título da última música, "The Brazillian", uma vez que a música em si não tem absolutamente nada a ver conosco. Mas fazendo vista grossa para o título, é um bom tema instrumental. Não está entre os melhores temas instrumentais já feitos pela banda, com certeza, mas é um bom fechamento, e se o pretexto do título for uma pequena homenagem a nós, já valeu a iniciativa.

Resumindo, assim como seus dois antecessores, um disco bem diferente daquilo que a banda fazia nos anos 70, mas mesmo assim, um ótimo disco, com boas músicas, com melodias mais acessíveis ao grande público, mas com qualidade! Realmente, eles mereciam melhores seguidores de seu trabalho com o pop, mas aí você liga a rádio e ouve tocar as porcarias que tocam nos dias de hoje. Portanto, passe longe das rádios e fique com quem realmente sabe fazer a coisa bem feita, respeitando o ouvinte.

Invisible Touch (1986)
(Genesis)
Nota: 8 / 10


Tracklist:
01. Invisible Touch
02. Tonight, Tonight, Tonight
03. Land of Confusion 
04. In Too Deep
05. Anything She Does 
06. Domino
       a. In the Glow of the Night
       b. The Last Domino
07. Throwing It All Away
08. The Brazilian

Selo: Charisma/Virgin (UK), Atlantic (US)

Genesis é:
Phil Collins: voz, bateria, percussão
Mike Rutherford: guitarra, baixo
Tony Banks: teclado, sintetizador

Discografia:
Invisible Touch (1986)
- Genesis (1983)
- Abacab (1981)
Duke (1980)
- Wind & Wuthering (1976)
- Selling England by the Pound (1973)
- Foxtrot (1972)
- Nursery Cryme (1971)
- Trespass (1970)

Site oficial: www.genesis-music.com

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