Saturday, July 17, 2004

CD: Duke - Genesis

Essa é a segunda investida do Genesis como um trio, desde a saída de Steve Hackett da banda após o disco Wind And Wuthering, e a quarta desde a saída do legendário Peter Gabriel, após The Lamb Lies Down On Broadway. Para alguns (como eu) esse 10º disco de estúdio significa o fim de uma era. A progressiva. Para outros, ela acabou em 1978, após a saída de Hackett. Qualquer uma que seja, tudo dá no mesmo... quem achou que os três remanescentes, Collins, Banks e Rutherford não iriam conseguir se segurar depois disso, caiu feio do cavalo, pois esse disco é simplesmente fantástico. 

É claro que como um trio, e considerando a carreira solo de Phil e sua outra banda (Brand X) e a banda paralela de Mike (Mike & The Mechanics), o direcionamento para uma sonoridade mais pop, misturada com progressivo era evidente. Inclusive, considerando que a banda já estava fraquejando nas idéias progressivas neoclássicas desde o disco anterior. Mas quem achou que por causa disso a qualidade musical iria cair, se enganou redondamente. O agora trio (Collins fazendo bateria e vocais, Mike tocando baixo e guitarra e Tony nos teclados e synths) mostra que, ao mesmo tempo que estavam dando o último grande suspiro de criatividade no progressivo, estavam apontando para uma outra área bastante promissora, principalmente nos anos 80, que foi a época que a popularidade deles cresceu enormemente. No entanto isso não significava uma perda de qualidade no som, como acontece nos dias de hoje.

Já de cara, os três nos presenteiam com uma fantástica e matadora seqüencia introdutória com as três faixas iniciais, a sensacional e empolgante "Behind The Lines", com Mike mostrando que não era somente Hackett que podia compor belas linhas de guitarra nos solos, seguindo mais discretamente com a belíssima "Duchess", e fechando essa primeira seqüência com a calma e bonita "Guide Vocal", uma performance maravilhosa e cheia de sentimento de Collins, que também ainda está mandando muito bem na bateria. Só essa primeira seqüência já valeria pelo disco todo, mas os caras não descansam e resolvem ir mais longe. E isso resulta na simplesmente, indescritivelmente maravilhosa, fantástica "Man of Our Times", uma performance do trio de arrancar lágrimas até do mais rabugento dos fãs.

A próxima, a ótima "Misunderstanding" já aponta para o caminho que o trio pegaria nos discos seguintes, ou seja, um som mais pop e acessível, mas muito bem feito, mostrando que pop bem trabalhado e pop enlatado, feito por qualquer porcaria sem o mínimo de talento são duas coisas bastante distintas! E o Genesis tinha talento de sobra, talento esse que esbanjou pintou e bordou nos discos seguintes até 1991. Mas como esse ainda é um disco transicional, a próxima, "Heathaze" remete muito ao Genesis progressivo da qual Gabriel e Hackett fizeram parte, sendo assim uma profunda e bonita composição. A seguir, a ótima e contagiante "Turn It On Again", que foi o hit de verão daquele ano e teve grande exposição nas rádios, o que pode fazer com que os mais novos pensem que é música ruim. Não é! Naquela época, talento e mídia ainda andavam de mãos dadas, por isso tivemos um grande hit, que até hoje é lembrado em qualquer parte. Em seguida, mais um grande hit pop, "Alone Tonight", uma linda e apaixonante canção.

Em seguida, a ótima "Cul-De-Sac" mostra novamente que o Genesis ainda não tinha perdido a mão nas composições puramente progressivas com caráter neoclássico, dando assim o último suspiro de criatividade nessa área. O mesmo para a seguinte, a belíssima "Please Don't Ask". Aqui Phil dá alguns ares de Peter Gabriel na voz. Mas será nas duas últimas que o Genesis dará o suspiro definitivo de sua genialidade progressiva, em se tratando de um disco inteiro do gênero e o disco não poderia ter terminado de maneira melhor. Primeiro, temos o simplesmente maravilhoso e sensacional épico "Duke's Travels", com a banda esbanjando criatividade e classicismo, como se fosse um grito direcionado aos fãs mais conservadores, bradando 'ei, ainda somos o Genesis que vocês conhecem', em seus 8 minutos e meio de pura genialidade e deleite musical! E tudo termina com a sensacional seção de fechamento, "Duke's End", sinalizando assim o fim de uma era do grupo, que foi fechada com chave de ouro.

Após esse disco, o trio lançaria ótimos e muito bem elaborados discos pop ao longo dos anos 80, com alguma ou outra composição progressiva pelo caminho, arrebanhando assim milhares de fãs pelo mundo inteiro, mas seu legado no rock progressivo jamais será esquecido, principalmente depois de ser fechado com um clássico como Duke. Claro, esse não é o melhor disco da era progressiva da banda, podemos até encará-lo como uma versão resumida de The Lamb Lies Down On Broadway. A não ser pelas letras, que falam sobre as dificuldades de se chegar na meia idade, mas no contexto musical, quase com a mesma proposta. Resumindo em poucas palavras, um disco digno de progressivo que qualquer fã do gênero, mesmo o mais rabugento tem que ter em sua coleção. Um clássico. Discografia recomendada, e sem sombra de dúvida, um dos discos favoritos dos membros do Spock's Beard. Pode pegar sem medo algum!

Duke (1980)
(Genesis)
Nota: 9 / 10


Tracklist:
01. Behind the Lines
02. Duchess
03. Guide Vocal
04. Man of Our Times
05. Misunderstanding
06. Heathaze
07. Turn It On Again
08. Alone Tonight
09. Cul-de-sac
10. Please Don't Ask
11. Duke's Travels
12. Duke's End

Selo: Charisma, Atlantic

Genesis é:
Phil Collins: voz, bateria, percussão, drum machine
Mike Rutherford: guitarra, baixo
Tony Banks: teclados, violão 12 cordas

Discografia:
Invisible Touch (1986)
- Genesis (1983)
- Abacab (1981)
Duke (1980)
- ...And Then There Were Three... (1978)
Spot the Pigeon (1977) - EP
- Wind & Wuthering (1976)
- Selling England by the Pound (1973)
- Foxtrot (1972)
- Nursery Cryme (1971)
- Trespass (1970)

Site oficial: www.genesis-music.com

No comments:

Post a Comment