Friday, November 12, 2004

CD: A Trick of the Tail - Genesis

Esse disco marca um novo recomeço para o Genesis. Abalados os fãs com a saída de Peter Gabriel, famoso na banda por seu lirismo e por suas performances e atuações únicas, após a obra-prima The Lamb Lies Down On Broadway, o Genesis precisaria se reestruturar. O que fazer? Temas instrumentais apenas? Não, não daria certo. "Oras vamos fazer o que qualquer banda de bom senso faria: chamar um novo vocalista que fosse tão talentoso quanto Peter". Começam os testes. Passam os desafortunados candidatos à substitutos de Gabriel. E nada! Ninguém era bom o bastante. Eis que a banda tem uma idéia revolucionária: Phil Collins já havia cantado um pouco antes, e sua voz se mostrou muito boa e encorpada, além de ser muito semelhante à voz de Peter. E se Phil assumisse os vocais?

Fico imaginando a reação de Phil Collins naquela hora! "Eu, assumir os vocais da banda??? Estão loucos? Eu sou o baterista, nada mais! E quem vai cuidar da bateria? O quê? Cantar e tocar bateria?? Hummm..." E é exatamente esse o ponto onde a banda foi revolucionária: Phil continuaria a cuidar das baquetas e do drumkit nos discos de estúdio, com a adição de seus vocais, através de truques de estúdio! Será que a manobra daria certo? E nos shows? Oras, nos shows, chamariam um baterista de turnê! Não significaria que Phil fosse parar de tocar. Nos shows ficariam dois drumkits montados nos palcos, para Phil poder continuar tocando também de vez em quando. Bill Bruford do Yes assumiria neste disco, mas logo seria substituído nas turnês pelo igualmente talentoso Chester Thompson. E assim foi...

E não é que o experimento foi um sucesso? Tanto que repetiram a dose em Wind & Wuthering e nos discos que o sucederam. Atualmente outra banda também passou pela mesma experiência, o Spock's Beard, tendo exatamente o mesmo resultado. A Trick Of The Tail ainda vem recheado da sonoridade que fez o Genesis famoso, e às vezes até dá pra sentir uma aura de Gabriel sondando as músicas, mesmo sem a sua presença, mas claro, que com a saída de um membro importante, as letras já não teriam o mesmo teor poético, mas tanto neste disco quanto nos outros que a banda fez como trio continuaram a soar interessantes e desafiadores. O mais interessante desse disco é que a capa dele é sugestiva, e as figuras que estão nela representam cada uma das músicas no disco.

"Dance On A Volcano", representada pela feia bruxa com uma cruz na mão na capa, abre o disco com uma faixa bem ao estilo da banda. Aqui, Phil Collins estréia nos vocais da banda com a mesma energia e beleza que Peter imprimia em seus vocais. Aos poucos Phil foi encontrando seu próprio estilo. Desnecessário dizer que o cara manda seu drumkit abaixo! Steve Hackett continua sua tradição de criar riffs inteligentes e linhas melódicas que quase parecem com uma harpa. "Entangled", representada pela enfermeira, segue no mesmo esquema, e é uma balada belíssima, Steve Hackett aqui faz arranjos muito bonitos. Em "Squonk", representada na capa pelo caçador e sua raposa, os destaques são as melodias brilhantes de Hackett e Phil destruíndo seu drumkit em uma de suas melhores performances.

Em "Mad Man Moon", representada pelo cavalo acima da lua crescente, fica como destaque os belíssimos arpejos de Banks ao piano e melotron, mas a música em si também é belíssima. A seguir uma mais animada, "Robbery, Assault And Battery", representada na capa por três personagens, o ladrão assustado, o juíz e o policial segurando o diabo. O maravilhoso épico "Ripples", representado na capa pela velha mulher se olhando no espelho com a visão de uma jovem moça, vem a seguir, e me lembra um pouco "The Musical Box" do Nursery Crime, talvez devido às suas linhas melódicas e os arpejos suaves e com tom de harpa de Hackett e Banks. Outra coisa interessante nessa música é que o solo do meio de Hackett é gravado ao contrário!

"A Trick Of The Tail", que é representada pelo diabo com sua cauda apontando para a pessoa caída ou morta no chão, tem um ritmo cadenciado e dançante, e é bem gostosa de ouvir, uma das primeiras amostras do que o Genesis viria a fazer nos anos seguintes. Para fechar o disco, representada pela senhora rodeada de crianças na capa, vem a fantástica instrumental "Los Endos", a melhor instrumental que o Genesis já compôs, devido às influências de jazz fusion de Collins. Ela também representa um apanhado dos melhores momentos do disco, citando trechos como os de "Dance On A Volcano" e "Squonk". No final há uma citação da parte final de "Supper's Ready": "There's an angel standing in the sun... Free to get back home", a banda ainda vivendo na sombra que Peter Gabriel deixou, claramente interpretada na voz de Collins no disco, que ainda não adquiriu estilo próprio, aquele que ele imprime em álbums como Duke, Abacab, ou Invisible Touch, discos em que a banda sai definitivamente da sombra de Gabriel e encontra um novo caminho.

Desnecessário dizer que é um disco essencial para quem curte rock progressivo, e um clássico absoluto da banda. Com esse lançamento, o Genesis marca um novo capítulo em sua história e continua satisfazendo os fãs sedentos por novidades com uma manobra estranha - barerista para frontman - mas que viria a se mostrar satisfatória, projetando Collins para sua bem sucedida carreira solo e até mesmo influenciando outras bandas no futuro.

A Trick of the Tail (1976)
(Genesis)
Nota: 9 / 10


Tracklist:
01. Dance on a Volcano
02. Entangled
03. Squonk
04. Mad Man Moon
05. Robbery, Assault and Battery
06. Ripples
07. A Trick of the Tail
08. Los Endos

Selo: Charisma, Atco

Genesis é:
Phil Collins: voz principal, bateria, percussão, voz
Steve Hackett: guitarra e violão 12 cordas
Mike Rutherford: baixo, violão 12 cordas
Tony Banks: órgãos, mellotron, pianos, violões, sintetizadores

Discografia:
Invisible Touch (1986)
- Genesis (1983)
- Abacab (1981)
Duke (1980)
- Wind & Wuthering (1976)
A Trick of the Tail (1976)
The Lamb Lies Down on Broadway (1974)
- Selling England by the Pound (1973)
- Foxtrot (1972)
- Nursery Cryme (1971)
- Trespass (1970)

Site oficial: www.genesis-music.com

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