Thursday, September 15, 2005

CD: Octavarium - Dream Theater

Muita coisa indicava que o novo trabalho do Dream Theater não seria nenhum mar de rosas. O lançamento decepcionante de Train of Though em 2003 mostrava uma banda mal das pernas, apesar de tecnicamente superior, como os irmãos Watchovski nas duas seqüências de Matrix. O debut solo de James LaBrie, Elements of Persuasion, também não agradou, apesar do bom disco solo de Petrucci, Suspended Animation. Para sair dessa crise criativa, que vinha desde o álbum de 2002, Six Degrees of Inner Turbulence, que teria sido muito melhor se só constasse nele o maravilhoso segundo CD do épico, a banda precisava de um bom disco. E felizmente ele veio em tempo. Claro, assim como qualquer disco do conjunto, há diversas influências facilmente perceptíveis e o instrumental também continua impecável. Porém, o grande diferencial de Octavarium se encontra em suas melodias bem elaboradas.

Diferentemente de Train of Though, em que o virtuosismo exagerado e sem sentido imperava, o novo disco do quinteto mostra uma banda bem entrosada, livre da pressão de projetos paralelos e trabalhando bem as melodias. Ainda há sim, alguns resquícios do que ficou do disco anterior, mas não incomoda tanto. Já é praxe a banda citar pequenas passagens de seus trabalhos anteriores para sugerir uma possível continuação. Isso vem sendo feito desde a continuação de Metropolis Pt. 1, com o álbum conceitual Scenes From a Memory, obra-prima do grupo que desenvolve a trama iniciada na longa de Images & Words, que por sua vez tem trechos citados em "The Glass Prison", que por sua vez é citada em "This Dying Soul". Interessante a idéia, devo admitir, sugere uma interconexão entre as longas. Mas voltemos ao disco.

A citação da vez aqui fica por conta da faixa de abertura, "The Root of All Evil". Mas vamos nos concentrar nos destaques, sendo que essa faixa, apesar de boa, não mostra nada de novo no som da banda. Existem aqui uma balada e uma faixa mais pop-roqueira, coisa que a banda não fazia à um bom tempo. "The Answer Lies Within" é melancólica e bonita sem dúvida, meio mistura de Radiohead com REM, mas está longe de ser a melhor balada do quinteto, título que músicas como "Another Day", "Surrounded" ou "Take Away My Pain" ainda carregam com louvor. Em "These Walls", um dos destaques fica por conta do bumbo duplo de Portnoy. Não gosto muito desse negócio de bumbo duplo, mas aqui ficou bem colocado. O outro destaque fica pela sua belíssima melodia a lá Marillion, que ficou sensacional. E por último o vocal de LaBrie que, apesar de meio limitado, brilha aqui. Curioso que a música é tão bem trabalhada que a guitarra de Petrucci com afinação baixa nem mesmo chega a incomodar aqui.

Agora deixe eu fazer uma pergunta: se você desconhecesse Dream Theater, o que te viria primeiro a cabeça ao escutar "I Walk Beside You"?? Isso mesmo, uma pequena chupadela no quarteto irlandês mais famoso do mundo é o que temos aqui. Dá até pra imaginar o Bono Vox cantando essa música! E olha que eu ainda nem citei U2... ops, agora citei! Ouça "Miracle Drug" de How to Dismantle an Atomic Bomb e repare na semelhança! Até a guitarra de The Edge está reproduzida aqui. Em "Panic Attack", mais peso, mas há aquele velho problema do exibicionismo desnecessário e dos solos mal colocados que tanto assombrou a banda nos últimos lançamentos. Um dia eles param com isso. "Never Enough" é exatamente o oposto da anterior. Tem peso e virtuose, mas é bem estruturada. Influências claríssimas de Muse (pra não dizer outra chupada) e Black Sabbath.

"Sacrificed Sons" reúne justamente o que as duas anteriores tem de bom e ruim. Explico: começa ótima, prossegue equivocada e termina boa. A primeira parte lenta e climática, com influências claras de Marillion e King Crimson prenuncia um épico grandioso, mas não é isso que acontece, pois novamente Petrucci tem acessos de guitar hero com exibicionismos desnecessários. Quando se tem melodias cativantes aliadas a bons climas e instrumentação impecável, não há necessidade de virtuose alguma.

Mas o grande diferencial do novo álbum está mesmo na última faixa, e eu não me refiro ao tamanho da dita. Vamos por de maneira simples: "Octavarium" é o melhor épico do quinteto desde "A Change of Seasons". Começa com uma intro lembrando "Shine on You Crazy Diamond" do Pink Floyd e prossegue passando por diversas influências importantes do rock progressivo, como Genesis, Yes, Rick Wakeman e Rush. Um festival de citações tanto instrumentais de bandas clássicas quanto nas letras, onde são lembradas bandas importantíssimas, como Beatles (por razão óbvia), Genesis, Spock's Beard, e até mesmo Ramones! Há inclusive um trecho de flauta que automaticamente referencia Peter Gabriel em sua época de Genesis. E sim, há o peso no final, como é característico do rótulo 'prog metal' que a banda atualmente carrega.

No geral, um trabalho consideravelmente bom, com ótimos momentos e infelizmente ainda alguns equívocos que talvez sejam sanados em um próximo trabalho. Este já é o quarto disco com o tecladista Jordan Ruddess. Ah, destaque para o belíssimo encarte, linda capa frontal.

Octavarium (2005)
(Dream Theater)
Nota: 7,0 / 10


Tracklist:
01. The Root of All Evil
      VI. Ready
        VII. Remove
02. The Answer Lies Within
03. These Walls
04. I Walk Beside You
05. Panic Attack
06. Never Enough
07. Sacrificed Sons
08. Octavarium
        I. Someone Like Him
        II. Medicate (Awakening)
        III. Full Circle
        IV. Intervals
        V. Razor's Edge  

Selo: Atlantic Records

Dream Theater é:
James LaBrie: voz
John Petrucci: guitarra
John Myung: baixo
Jordan Ruddess: teclados
Mike Portnoy: bateria

Discografia:
The Astonishing (2016)
Dream Theater (2013)
A Dramatic Turn of Events (2011)
- Black Clouds & Silver Linings (2009)
- Systematic Chaos (2007)
Octavarium (2005)
- Train of Thought (2003)
- Six Degrees of Inner Turbulence (2002)
- Metropolis Part 2: Scenes From a Memory (1999)
- Falling Into Infinity (1997)
- Awake (1994)
- Images and Words (1992)
- When Dream and Day Unite (1989)

Site oficial: www.dreamtheater.net

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