Friday, September 8, 2017

NO CINEMA: Polícia Federal: A Lei É Para Todos

Nota: 10 / 10

Hoje eu fui conferir o filme que conta sobre os bastidores da Operação Lava Jato, intitulado Polícia Federal: A Lei É Para Todos, baseado na obra literária de Carlos Graieb e Ana Maria Santos. Antes de mais nada, quero dizer que eu sempre procurei manter meu blog o mais afastado possível da política, e quero continuar garantindo que isso ocorra em um futuro próximo.

Só que não dá para não falar do assunto quando se trata de uma obra dessas. Sempre fui um grande apoiador da Lava Jato, porque você queira ou não, meu amigo, esta é uma das ferramentas mais eficazes que temos contra a corrupção no nosso país hoje em dia. Existem dois Brasis na realidade em que vivemos hoje. Um antes, o da impunidade, e outro depois que a grande operação foi deflagrada. E que bom que podemos dizer isso hoje, com este ótimo filme.

Antes de mais nada, eu quero deixar uma coisa bem clara e transparente: não existe essa de ficar em cima do muro, de ser isento, de não tomar lados. Então você, que está aí reclamando que o filme toma lados, larga de ser otário, e veja a realidade a sua volta. Eu estou muito feliz que o filme em questão resolveu tomar um lado, ao invés de fazer como muitos espertinhos por aí que dizem, falam, explicam, e não dizem coisa alguma.

Outra coisa: ao contrário do que muita produção canastrona que se baseia em pessoas reais faz por aí, este filme é baseado em fontes e fatos reais, e não em alegorias ou em sugestões, elucubrações ou opiniões. Desta forma, todos os fatos apresentados no filme podem ser comprovados através de fontes. O mesmo não se pode dizer de uma produçãozinha dramática que fizeram por aí cujo protagonista é um verme vitimista que perdeu um dedo.

Outra coisa notável, são os patrocinadores deste filme: vá vê-lo e diga-me se consegue achar o tradicional logo da Petrobrás por lá, em alguma passagem nos créditos... como diria Sílvio: "não consegue, né?" Curioso, não? Este é talvez o primeiro filme brasileiro que eu vejo e que não tem a logo da petrolífera por lá! Afinal de contas, não é todo mundo que consegue apoiar uma iniciativa que te critica abertamente e sem medo, não é mesmo, Petrobrás? Pois é...

Eu gosto muito de como o filme resolve abrir. Rui Barbosa era realmente um grande pensador brasileiro. "De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça. De tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto." Uma grande pena que ele, Prudente de Moraes, Deodoro da Fonseca e tantos outros da Primeira República brasileira se esforçaram tanto para 100 anos depois vermos esta mesma república se esfacelar frente a tantas nulidades e a tanta impunidade.

O filme segue, mostrando a primeira fase deflagrada da Lava Jato, e a perseguição implacável ao doleiro Alberto Youssef. Corta para um flashback e vemos as origens, quando um caminhão de palmito foi parado na estrada e foram achadas drogas lá pela polícia dentro dos potes. Uma coisa que eu lembro de ter visto lá em 2013.

E o filme vai passando, e quanto mais coisas acontecem, mais eu me impressiono. Eu vi tudo aquilo acontecer, meu Deus! Foi a meros 5 anos atrás, 4, 3... Caramba! Quanta merda a gente acompanhou pela internet e outros veículos de comunicação! Paulo Roberto Costa, Delcídio do Amaral, Marcelo Odebretch... até chegar no molusco e na marmota. Pense em todo trabalho policial que foi feito, todo sacrifício, as noites em claro, para sairem de uma investigação de propina por tráfico e chegarem a Lula, o chefe máximo do mensalão e do petrolão!

Tudo isso regado a uma edição ágil, uma ótima trilha sonora, e um excelente trabalho de fotografia. A montagem da fita nos permite acompanhar cada passo da polícia, cada fase importante da operação, cada frustração e sucesso. Está lá a Aletheia, a Erga Omnis, e outras fases que eu lembro muito bem de ter acompanhado e seguido, durante um período da minha vida que eu me conscientizei de que deveria acompanhar mais o cenário político brasileiro.

O curioso é o quanto o Lula do filme ficou diferente. Fizeram um esforço monstro, com o ator Marcelo Serrado, para o deixarem bastante semelhante ao Juiz Sérgio Moro; o perfil sempre calmo e tranquilo do Juiz, os tiques, a insistente mão no queixo que já vimos várias vezes, está tudo lá; só que o ator Ary Fontoura ficou bem diferente do molusco, em termos visuais. Tenho duas teses pra isso: ou o ator não quis associar a sua imagem a de um canalha como o Lula, ou eles acharam que a audiência ia se sentir desconfortável em ver a imagem do mafioso. E eu não culpo nem um lado, e nem o outro. No entanto, as falas, as falácias, e também as ameaças que o molusco perpetuou estão todas lá, tintin por tintin.

Também parabenizo a coragem e a bravura dos envolvidos em finalmente colocarem o Lula em um filme, na posição que ele merece estar: a de vilão. Que este seja o primeiro de muitos que ainda vierem. Lula tem uma biografia suficientemente nojenta e criminosamente notável para deixar Al Capone de joelhos umas 500 vezes no mínimo.

O filme diz que os eventos retratados se passam de 1500 a 2016. Há, no personagem do ex-presidente da Petrobrás, na hora que ele vai fazer a famosa delação premiada, um momento muito importante em que ele destaca isso. A corrupção no Brasil existe desde o dia que os navios portugueses aqui chegaram. Uma outra grande verdade.

Você pode estar se perguntando assim: "aihnn, Ricardo, mas é tudo tãão preto e branco, tão bem versus mal, tão masoquista"!

Primeiro: isso nunca foi sinônimo de falta de qualidade. É, quando feito sem o devido cuidado. A Lava Jato é perfeita? Não, eu sei que não. Perfeito, na minha religião, só Deus, meu camarada. Mas não é esse o momento de se averiguar potenciais tons de cinza em algo que representa uma das mais eficazes ferramentas de combate à corrupção que temos após anos de impunidade neste país. É hora de se tomar lados a favor do bem geral. É hora de darmos nome aos bois. Portanto, eu concordo sim com o posicionamento firme e claro do filme.

Nomes são citados. Fatos, detalhes, nada ficou de fora! Está lá o japonês da federal, em uma breve e sutil aparição, provavelmente devido ao momento vergonhoso que ele perpetuou à polícia com um esquema corrupto no passado; e o filme não se roga, nem se vitimiza ao citar em um trecho os esquemas de corrupção dentro da própria polícia que tentaram derrubar a Lava Jato. Está lá o "Bessias", da gravação que todo mundo conhece, menos o STF! Isso, aquele Bessias, você lembra! Tudo está lá. Eventos factuais, nada de alegorias, nem mudança de nomes, nem qualquer merda dessas. Esta polarização clara do bem x mal do filme pode até te incomodar, mas é do que o país precisa neste momento, para que todos vejam, com clareza, de que lado está exatamente cada coisa.

Segundo: tente refutar qualquer fato apresentado no filme! Desculpe, mas vou usar o Sílvio aqui de novo: "não consegue, né?" De fato. Porque como eu falei lá em cima, se tratam de FATOS. Sem mascaramento da mídia, sem edição, pura e simplesmente o que aconteceu, esfregado na sua cara. Sem romantizar. Isso te incomoda? Ohhh... a mim também! Mas prefiro a verdade dura e ríspida machucando a minha cara, do que passar o resto de meus dias numa infindável ilha da fantasia, dentro da Matrix, pensando que vivo uma "realidade" bem distante de mim. Agora, se você não se incomoda em ficar na sua ilha da fantasia, aí eu já não posso fazer muita coisa. O próprio Aristóteles dizia que não se pode discutir com quem não está disposto a encarar a verdade, por pior que ela pareça.

Este, meus caros, é talvez um dos filmes mais importantes que você vai assistir este ano! É um filme que todo brasileiro deveria assistir pelo menos uma vez, para entender, de uma vez por todas, o lamaçal em que se encontra o país, e qual razão nos levou a tal destino. Ao sair do filme, já passei na livraria e comprei o livro que o filme se baseia, talvez uma das leituras mais urgentes que devemos ter nestes tempos. Vou ler o livro para me informar mais a respeito, considerando sempre a habitual pesquisa das fontes que acho tão importante.

Dito isso, eu recomendo a todos que vão assistir no cinema. É dever cívico e moral de todo brasileiro que saiba o que se passa no próprio país e porque você é roubado todos os dias por Lulas, Dilmas, Youssefs, Paloccis, Cunhas e Aécios, e outras merdas que estiveram e ainda estão há tanto tempo no poder. O filme faz uma piada final, indicando uma possível continuação. Bom, não sei se é mesmo uma piada. Back To The Future, o original, tinha uma piada final, e ela acabou virando sequência. Polícia Federal: A Lei É Para Todos se trata de fatos reais, e posso garantir: há material mais do que suficiente naquelas delações premiadas para garantir inúmeras continuações para essa saga! E tão eletrizantes quanto essa.

Enquanto elas não vem, fecho meus comentários aqui dizendo que este é um filme essencial. Você até pode me chamar de destro, ou canhoto, ou sei lá, uma dessas coisas nojentas que estão na moda hoje em dia, simplesmente pelo fato de não concordar comigo. Só que tem uma coisa: se ser destro significa querer justiça, doa a quem doer, se ser destro significa não ter bandidinho de estimação, se ser destro significa querer ver o fim de um sistema corrupto e burocrático que nada mais faz a não ser te impôr, e impôr, e impôr, e sugar o seu dinheiro e sua vida o tempo todo, te deixando sem perspectiva alguma de futuro, se ser destro significa querer oferecer às próximas gerações um futuro que eu não tive como passado, um país respeitável, onde possamos ser tratados como cidadãos de fato, onde lulas voltem a ser apenas animais marinhos, e não um desgraçado que usa de vitimismo e mentiras a todo instante para tentar voltar a seus tempos de glória, então me desculpe, meu querido, mas eu sou destro sim.

E como alguém que sempre amou a justiça desde moleque, que sabe que o Batman é apenas um personagem da ficção, apesar de gostar muito dele, que vive a realidade e enxerga os fatos pelo que eles são, eu finalizo dizendo: AVANTE, LAVA JATO! Vá ver este filme, um dos filmes brasileiros mais importantes já feitos, e chame o maior número de pessoas possível.

"A ideia de ter sido usado inconscientemente por outro mais esperto é tão humilhante que cada um instintivamente a rejeita indignado, sem notar que a recusa de enxergar os fios que o movem o torna ainda mais facilmente manejável" (Olavo de Carvalho, 2006)

Polícia Federal: A Lei É Para Todos (2017)

Direção: Marcelo Antunez
Produção: Tomislav Blazic, Mariza Figueiredo, Saulo Moretzsohn
Roteiro: Thomas Stavros, Gustavo Lipsztein (baseado no livro de Carlos Graieb e Ana Maria Santos)
Trilha sonora: Fabio Mondego, Fael Mondego e Marco Tommaso

Estrelando: Antonio Calloni, Marcelo Serrado, Ary Fontoura, Flávia Alessandra, Bruce Gomlevsky, João Baldasserini, Rainer Cadete, Roberto Berindelli, Leonardo Franco, Adélio Lima, Roney Facchini, Tadeu Aguiar, Leonardo Medeiros, Juliana Schalch, Sandra Corveloni, Samuel Toledo, Cris Flores, Iaçanã Martins, Genésio de Barros, Laura Proença, Beth Zalcman, Marco Esch

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