Friday, October 14, 2016

FILME: Teenage Mutant Ninja Turtles: Out Of The Shadows (As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras)

Nota: 4,5 / 10

Eu costumava ser fã das Tartarugas Ninja quando era moleque. Assistia o desenho na TV, não perdia um episódio sequer. Os filmes em live action antigos não eram nenhumas obras-primas, ou coisa parecida - os dois primeiros, pelo menos, o terceiro é desgraçadamente ruim - mas eu gostava de ver.

Só que aí teve esse reboot produzido pelo Michael Besta, que conseguiu destruir os Transformers, e eu não me interessei; inclusive ainda nem assisti o primeiro filme desse reboot, e nem tenho interesse; vi esse segundo de agora, em casa mesmo, só pra ver o tamanho do estrago.

Então vamos lá, vamos ver o que posso falar sobre esse filme que outros já não falaram.

Primeiramente, temos que ter na cabeça o seguinte: qualquer coisa que Michael Bay esteja envolvido, seja na direção ou produção, você desliga o seu cérebro! Não pense, não tente juntar lé com cré, nem sequer se dê ao esforço de ter alguma expectativa; simplesmente desligue seu cérebro. Pronto.

Outra coisa: alguém vai te dizer "ah, mas esse filme não é dirigido pelo Bay". Cai na real: qualquer filme que o Bay esteja envolvido, seja em qualquer nível, é dirigido por ele; o "diretor" deste filme, Dave Green, é absolutamente inexpressivo, ocupa a cadeira de diretor só por ocupar, meu amigo. Este não é um filme autoral, é um filme de produtor, de estúdio, aliás, isso tá na cara pela estrutura hollywoodiana manjada e pelos infindáveis clichês.

O fiapo de trama deste novo filme é um reaproveitamento da trama do segundo filme de 1991, ou seja, as tartarugas estão às voltas com o Ooze. Só que o roteiro é todo esburacado, convoluto, e não faz muito sentido, sem falar que chega a dar sono. Só não tem o ninja rap de Vanilla Ice ou o super Destruidor, mas de resto, é reaproveitamento do outro segundo filme. O roteiro não chega a ser ruim de doer, tem bons momentos, mas bem mal estruturados e porcamente desenvolvidos. Depois eu falo sobre esses bons momentos.

E desta vez tem mais personagens. Ao invés dos dois mutantes do outro segundo filme que ninguém fazia ideia quem eram, desta vez temos a dupla Bebop e Rocksteady, o que eu achei bem legal, porque todos esperávamos ver eles nos anos 90, mas os envolvidos no filme fizeram o desfavor de substituí-los por outros personagens, então foi legal ver os dois bem representados aqui. Mas são mal aproveitados. Este filme tem todos os elementos certos, tem o alienígena Krang, da dimensão X com seu Technodrome, ou como costumávamos dizer, o alien que parecia chiclete mascado dentro de um robô em uma nave circular; tem o Destruidor, tem Casey Jones, as quatro tartarugas estão bem representadas, tem a April O'Neil, que está... ok, vai, passável, atuação da Megan Fox a gente também não pode esperar muita coisa, tem o cientista Baxter Stockman, enfim, todos os personagens bacanas que esperávamos ver nos outros filmes estão aqui.

Mas o roteiro é aquela coisa de louco. Como eu já falei, não espere bons roteiros em filmes que o Bay está envolvido, é mais fácil termos tartarugas ninjas mutantes no mundo real do que sair um bom roteiro de algo que o Bay esteja envolvido.

Os bons momentos, que são porcamente trabalhados e rapidamente descartados, estão em dois arcos: o arco em que as tartarugas veem a chance de usar o Ooze para virarem seres humanos e serem aceitas pela sociedade, que quando tomava tempo para se desenvolver a gente via algum roteiro lá dentro, mas que depois já dava vazão rapidamente para mais história, exposição e ação; tem também o fato das tartarugas ainda estarem tendo dificuldades para se enxergarem como um time, muito embora sejam todas irmãs. Tem o mestre Splinter, que ficou muito bom, bem resolvido, o Casey Jones feito pelo Arqueiro Verde da TV, o Stephen Amell, que também ficou legal, algumas referências culturais, o que já é esperado num filme das tartarugas, o humor que as vezes funciona, as vezes não, a música tema legal pra caramba das tartarugas que passava na série animada oitentista, e pronto, esses são os bons momentos.

De resto, é uma maçaroca só! E quer ver a prova do que eu disse, sobre este filme ser "dirigido" indiretamente pelo Bay? Tem uma cena com o Michelangelo em que ele está num desfile de Halloween, e me aparece lá um mini-Bumblebee! Isso mesmo, o autobot dos Transformers! Você ainda tem alguma dúvida? Ainda bem que eu não paguei pra ver essa porcaria no cinema.

Enfim, previsível, várias vezes chato, muito acelerado na resolução, com inúmeros defeitos, esta é a sequênca do filme de 2014 que ninguém pediu, mas muita gente pagou para ver. Eu não recomendo, acho que perderam de novo uma boa oportunidade de finalmente alavancar as tartarugas de vez no cinema, e é isso. Se passar perto dele, ou ver passando na TV, ignore. Pegue a série antiga de TV dos anos 80 ou então o primeiro filme live action de 1990, que você vai se divertir muito mais.

Teenage Mutant Ninja Turtles: Out Of The Shadows (2016)
Título em português BR: As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras

Direção: Dave Green
Produção: Michael Bay, Josh Appelbaum, Andrew Form, Bradley Fuller, Scott Mednick, Galen Walker
Roteiro: Josh Appelbaum, André Nemec (baseado em quadrinhos de personagens criados por Peter Laird e Kevin Eastman)
Trilha sonora: Steve Jablonsky (com tema original de D.C. Brown e Chuck Lorre)

Estrelando: Pete Ploszek, Jeremy Howard, Alan Ritchson, Noel Fisher, Megan Fox, Stephen Amell, Peter Donald Badalamenti II, Tony Shalhoub, Will Arnett, Laura Linney, Tyler Perry, Brian Tee, Stephen Farrelly, Gary Anthony Williams, Brad Garrett, Alessandra Ambrosio, Jill Martin, Kevin Eastman

Outros filmes desta cinessérie:
Teenage Mutant Ninja Turtles: Out Of The Shadows (As Tartarugas Ninja: Fora das Sombras) (2016)
- Teenage Mutant Ninja Turtles (As Tartarugas Ninja) (2014)

Trailer:

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