Thursday, March 30, 2006

CD: From Genesis to Revelation - Genesis

Imagine que alguém te apresenta um disco de uma banda surgida no final dos anos 60, e que, nesse disco você encontre uma média de 17 músicas. Nesse mesmo disco, as composições variam do Rock básico às baladinhas populares dos anos 60, bem naquele estilo Beatles e The Who da primeira era sem peso algum, mas que ainda tenha alguns traços de música clássica. Ah sim, e com aquela levada bem próxima do que os Bee Gees faziam em seus primórdios.

Em seu disco de estréia, o Genesis tem tudo a ver com essa sonoridade dos anos 60. Acrescente que não tínhamos ainda Steve Hackett e Phil Collins integrando a banda, sendo ela composta por um jovem Peter Gabriel nos vocais, já com sua flauta, Anthony Phillips na guitarra e violão, jovens e inocentes Mike Rutherford nos baixos e Tony Banks no piano e completando, dois amigos de faculdade dos caras, Jonathan Silver dividindo as baquetas e tambores com Chris Stewart, o primeiro baterista da banda, nas 4 faixas adicionais. Sim, esta é a gênese do Genesis!

E o que se encontra neste disco são composições mornas, algo que se o Genesis tivesse levado adiante não teria sequer se tornado a grande influência do progressivo que se tornou. É um disco de audição fácil contendo arranjos simples. Digamos que eles eram os Bee Gees careteiros dos anos 60! Duvida? Não acredita que o grande Genesis começou assim? Então pegue o disco e tente escutar pequenas obscuras baladas como "Silent Sun", "That's Me" ou "Where The Sour Turns To Sweet". "In The Beginning" ou "Fireside Song" ainda são um pouco menos calmas, mas também não empolgam tanto. 

Se você ainda estiver escutando o disco, ouça agora "The Serpent", "Am I Very Wrong?" ou "In The Wilderness". "The Conqueror" é só bonitinha, "In Hiding", "One Day", "Window" e "In Limbo" voltam na calmaria. Agora tente achar nestas faixas algum resquício daquela que viríamos a conhecer como um dos maiores grupos de Rock Progressivo de todos os tempos. Todas elas são composições tão mornas que soam como canção de ninar. Absolutamente nada a ver com o Genesis progressivo, ou até mesmo com o Genesis pop dos anos 80! Ah, e o relançamento mais recente acrescenta quatro faixas adicionais, contendo a versão single de "Silent Sun", e mais três que a banda gravou ainda com o primeiro baterista, que são "Silent Sun", "A Winter's Tale" e "One Eyed Hound", essa última sendo mais interessante.

Ok, você talvez queira saber por qual razão este disco existe do jeito que se apresenta. Acontece que os músicos iniciantes na época tiveram o azar de pegar um produtor chamado Jonathan King, fã confesso dos Bee Gees, e direcionou o grupo a soar daquela forma. A má recepção do álbum e o apelido ganho da imprensa na época, "Genesnooze" ("snooze" é algo como tirar uma soneca, indicando que a audiência estaria dormindo quando os caras tocassem) fez o grupo dispensar o baterista Jonathan Silver, contratar John Mayhew para as baquetas no ano seguinte e o produtor John Anthony, se trancarem em uma fazenda isolada e gravarem a primeira grande obra de progressivo legítimo do grupo, Trespass.

A capa é variante, não há uma capa específica para o disco. O tracklist também, há várias versões. A própria banda escondia o nome deles do disco na época. E se você por acaso sentir um fiapinho de culpa por eu estar falando mal do disco aqui, saiba que até mesmo o próprio grupo rejeita este disco. Para Rutherford e Banks, o Genesis de verdade começou no álbum Trespass. Portanto, não se preocupe. De tamanho descaso (a banda nunca mais tocou uma simples canção do disco nas turnês após 1970), este disco virou uma grande raridade.

Uma das capas alternativas do álbum, versão de 1987


Enfim, From Genesis to Revelation é uma primeira tentativa frustrada do icônico grupo. Recomendado apenas para colecionadores. Sorte que, após esse início inglório de carreira, a banda resolveu lançar obras progressivas dignas, tornando-se assim uma das bandas mais influentes dos anos 70.

From Genesis to Revelation (relançamento de 1987 retitulado "And the Word Was...") (1969)
(Genesis)
Nota: 3,5 / 10


Tracklist:
01. The Silent Sun (mono)
02. That's Me (mono)
03. Where the Sour Turns to Sweet
04. In the Beginning
05. Fireside Song
06. The Serpent
07. Am I Very Wrong?
08. In the Wilderness
09. The Conqueror
10. In Hiding
11. One Day
12. Window
13. In Limbo
14. Silent Sun
15. A Place to Call My Own
16. A Winter's Tale (mono)
17. One-Eyed Hound (mono)

Selo: Decca (UK), London (USA)

Genesis é:
Peter Gabriel: voz, flauta
Anthony Phillips: guitarra e violão
Mike Rutherford: baixo, violão e guitarra
Tony Banks: teclados, órgão hammond, pianos
Jonathan Silver: bateria
Chris Stewart: bateria em "Silent Sun", "That's Me", "A Winter's Tale" e "One-Eyed Hound"

Discografia:
Invisible Touch (1986)
- Genesis (1983)
- Abacab (1981)
Duke (1980)
- Wind & Wuthering (1976)
- Selling England by the Pound (1973)
- Foxtrot (1972)
- Nursery Cryme (1971)
- Trespass (1970)
From Genesis to Revelation (1969)

Site oficial: www.genesis-music.com

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