Friday, December 1, 2017

NO CINEMA: Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola

Nota: 8,5 / 10

Hoje eu fui no cinema e vi um palmito! Esse palmito tinha dois pentelhos e era ex do Quico. Ah, também havia um matador de passarinhos e um pedófilo maldito. Volta e meia, os dois pentelhos iam na casa do palmito e voltavam para a escola, falavam com a boca de fumo e eram repreendidos pela senhora das tetas. "Mas que história louca, meu caro Ricardo!" Louca? CABAÇO! É que você não viu ainda o pior aluno da escola! O que esse arrombado te ensina? Simples: Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola!

"Ai, ai, ai, tem em 'três dê', Ricardo, tem?" CABAÇO!! O pior aluno da escola não precisa de três dê!! O pior aluno da escola É o três dê!! E eu te prometo aqui que, se você for vê-lo agora, vai precisar de alguém para tirar aquela pipoca entalada na sua garganta, porque você vai engasgar de tanto dar risada!

Essa foi a melhor comédia que o Danilo Gentili já fez na sua carreira! Gosto muito do cara, acho ele um bom comediante moderno. Claro, não é como os comediantes clássicos, medalhões como Ary Toledo, Costinha, Mussum, Roni Rios, Chico Anysio, e outros da geração de ouro da comédia brasileira, mas ele, e caras como Léo Lins e Rogério Vilela, por exemplo, tem feito coisas muito bacanas pela cena atual que se encontra pra lá de precária, praticamente uma zumbi em termos de vida, que apenas sobrevive às custas de aparelhos.

Isso porque parece que se tornou um imenso tabu fazer piada dos outros sobre qualquer coisa. A geração floquinho de neve, essa daí que vem das duas últimas décadas, é a geração mais pau no cú que já existiu no planeta! Verdadeiros floquinhos de neve mesmo, extremamente sensíveis, se desmancham por qualquer coisinha, e problematizam tudo, sempre baseados na doutrinação do MÉQUE e na lavagem cerebral que passam nas escolas públicas atuais e na incrivelmente chata e repugnante mania de problematizar tudo. Desta forma, a comédia vem perdendo o seu brio, e de uma nação de gente que sabia rir de si mesma, nos tornamos uma nação de idiotas que só sabem choramingar de si mesmos.

"Aihnn, mi ofendi, tiu!" É? Problema teu, xará! Eu só falo aquilo que eu vejo! E fiquei muito feliz de ver uma comédia como esta, que dá um imenso e cavalar dedo médio para o politicamente correto, e sai fazendo piada de tudo e de todos! Além de ser "uma historinha tão gostosa de se ver", pois tem a presença ilustre do Quico! Sim, o Quico!! Carlos Villagrán está aqui, ele e Danilo são as luzes que irradiam esta grande comédia, que eu já considero de cara como a melhor que eu vi em anos!

A historinha é muito simples: dois meninos querem deixar de serem cabaços obedientes, se tornarem os piores alunos da escola, e tirarem um 10 na prova final de matemática. Para isso, vão procurar o "mestre dos magos" das peraltices escolares. Danilo aqui é um ex-aluno do personagem do Quico, e decide ajudar os meninos para atingir o seu ex-professor, que segundo ele, era o mais chato que ele teve em seus tempos de escola; isso, e... é... bem... e basicamente é só essa a motivação do cara, só, hehehe... Danilo, seu CABAÇO! Tinha que ter mais backstory aí, oras bolas! Só a questão da vingancinha não dá pra engolir tanto, hein! Ponto negativo pra você! Hahaha! Enfim, por ser uma comédia muito bacana, posso até relevar.

"Mas poxa, Ricardo, esse filme, ele desfaz do sistema de educação brasileiro e zomba das escolas!"

Sim, seu CABAÇO, eu percebi! E gostei muito que fez isso! Como pessoa, e como PROFESSOR que sou, pois dou aulas em escolas de idiomas, e vejo a realidade da má educação brasileira TODOS OS DIAS! É quando alunos meus contam histórias dos filhos, é quando eu abro o Foicebookistão e vejo toda a merda que a sociedade se encontra, é nas palavras erradas que eu vejo a todo momento quando as pessoas escrevem, muitas vezes sem pontuação, sem vírgulas, sem um pingo de cuidado com a própria Língua Portuguesa. É em tudo isso, e mais outras coisas que não preciso mencionar, porque você sabe bem.

Muitos "críticos", assim entre aspas mesmo, não se deram conta da mensagem explícita que Danilo Gentili colocou aqui no seu filme, escancarada, para quem quiser ver; ou isso, ou fingem que não viram, porque tem que manter seus empregos em jornaizinhos e revistas de merda que fazem parte da própria mídia que hoje se encontra numa insistente jornada para zumbificar o máximo possível as pessoas. Gentili sapateia, saracuteia, dança e tira sarro do sistema educacional moderno; um sistema falho, cheio de vícios, de uma pedagogia fossilizada e que faz os meninos e meninas das escolas saírem do ensino médio sem saber o básico do básico.

Gentili sabe muito bem que a boa comédia, é aquela que tem um alvo, que fala mal de alguém ou alguma coisa, não aquela que ri do nada. Quem estiver indo a este filme querendo ver algo insípido, sem ver ofensas e críticas, sem sair ofendidinho, onde todos se dão as mãos e cantam "Kumbaya" na beira da praia, sem ser tirado da sua zona de conforto, então eu recomendo que voltem para casa, entrem na sua bolha de novo, e fiquem lá, igual uns panacas. Gentili zoa todo mundo neste filme, até mesmo a gente, a audiência, num momento em que ele quebra a quarta parede; ou devo dizer não quebra, dinamita ela mesmo, sem dó!

É claro que eu concordo que não é bom que tenhamos maus exemplos nas escolas; é óbvio que eu sou a favor dos alunos respeitarem seus professores; é evidente que uma boa instrução nos leva ao desenvolvimento e ao pleno florescer das habilidades das pessoas, gerando mais empregos e oportunidades para todos e movimentando a economia do país. E é justamente essa precariedade na educação que o Danilo, de maneira muito engraçada e hábil, em diversos momentos do filme, critica tão veementemente.

Para se aprender, temos que ter prazer em aprender! Mas mais do que isso, temos que ver um objetivo naquilo que aprendemos, sem que seja passar no vestibular, ou no ENEM. Quando eu estou ensinando inglês aos meus alunos, eu mostro diversos exemplos daquilo que eles estão usando em aula. Eu explico a razão de ser daquela maneira, faço eles vivenciarem a coisa, falarem, interagirem, USAREM aquilo que aprenderam. Dou um objetivo real para eles, não só passar num exame e ter um pedaço de papel que diz que eles são alguma coisa. Dá-se muita importância ao diploma no Brasil e se esquece do talento do próprio indivíduo.

É essa a crítica que o Gentili está promovendo ao ensinar os meninos como colar nas provas, como não estudar, como se portar na sala de aula para caírem no conceito dos professores. O fim do filme não poderia ser mais simbólico, tanto na cena do filme em que Beethoven é usado de maneira cômica, quanto no que a escola se transforma após tudo isso, ficando extremamente parecida com o que vemos por aí em escolas públicas fundamentais e universidades públicas. Este é um filme que o ENEM vai fazer tudo que for possível para fingir que não existe. E não acho nada difícil que eles deem um zero redondo a quem for mencioná-lo na prova, hehehe!

Falando de forma mais light agora, teve diversas partes bacanas que eu adorei: quando o menino acha a caixa de Kichute, com pacote de cigarrinhos de chocolate Pan, que eu adorava comer quando era criança! Teve também a ótima perseguição de carros em que o Quico incorpora seu personagem e manda, lá de dentro do veículo mesmo, sua frase clássica: "cale-se, cale-se, cale-se, você me deixa louco!" Hahaha! Que diversão!! Eu ficava pensando o tempo todo o Chaves lá do lado dele, dizendo "cala a boca, Quico!" As referências? Muitas! Desde Ted, o filme lá do ursinho, a Karate Kid, Star Wars, o próprio Chaves, e muitas outras coisas! Tudo muito bem temperado com o som contagiante do Twisted Sister e outras coisas bacanas!

Por todas essas razões, e depois dessa reflexão, meu amigo, que eu venho chamar você a ir conferir o filme do Gentili. Falhas? Sim, tem, como todo filme, citei uma lá em cima mesmo, fora que algumas piadas poderiam ter melhor timing, ou serem mais conclusivas, como a boa, mas aparentemente abandonada ideia da piada envolvendo o pedófilo do filme. Mas os acertos são vários, a crítica é válida, e a diversão é garantida, se você tá pouco se lixando para o politicamente correto, como eu também faço. Dado o mundo chato, irritante, babaca que vivemos hoje em dia, onde tudo é bullying, e tudo representa uma ofensinha para os floquinhos de neve desta geração xexelenta, o legal mesmo é ser o mais politicamente incorreto possível! Eu ri litros, e me diverti tanto durante o filme, que saí da sala de cinema ainda com o sorriso estampado na cara!

Então, cara, larga de ser um CABAÇO e pare de prestar atenção em quem vem do nada e te diz o que fazer, como fazer, como pensar ou o que você deve ser! Corre lá para conferir esta aventura engraçadíssima! Quero mais filmes assim no futuro, que tiram sarro de tudo e todos mesmo, para que um dia, possamos recuperar a alegria que um dia existiu neste país.

Termino destacando as próprias palavras do Gentili, que também faço como minhas:
"Essa é a primeira vez que a geração de velho está mais legal que a geração de novos. Os jovens estão mais chatos que os velhos... Então o filme é um convite pra essa geração voltar a se divertir. As coisas podem ser divertidas... Eu acho que durante uns 20 anos, a gente teve um esforço das pessoas deixando tudo chato. A gente ficou refém de uma agenda politicamente correta. Você não pode fazer nada que ofende, não pode fazer nada sobre os coitadinhos. A primeira coisa do filme é: você pode fazer um filme só para ser divertido".

Como Se Tornar o Pior Aluno da Escola (2017)

Direção: Fabrício Bittar
Produção: Fabrício Bittar, Danilo Gentili
Roteiro: Fabrício Bittar, Andre Catarinacho, Danilo Gentili (baseado no livro homônimo de Danilo Gentili)
Supervisão musical: Léo T. Motta

Estrelando: Danilo Gentili, Bruno Munhoz, Daniel Pimentel, Carlos Villagrán, Joana Fomm, Moacyr Franco, Raul Gazolla, Fábio Porchat, Marcelo Rafael, Rogério Skylab, Luiggi Vizzuso

Trailer:

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